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"POR
QUÊ LÁ FORA E NÃO AQUI?" |
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Foi a primeira pergunta da Silvana
Costa quando a conheci. Fui à loja dela curiosa
porque ela havia me indicado, havia dado meu telefone
inclusive, para pessoas procurando tipóias. Ela
vende tipóias de bebê feitas pelos diferentes
povos indígenas de todo o Brasil. Ela vende também
cestas, jóias, artefatos de madeira... tudo que
você pode imaginar, produzido pelos inúmeros
povos indígenas do país. A loja mais parece
uma galeria de arte indígena pela qualidade das
peças e o acervo de livros. “Eu vi seu
site – continuou Silvana - aí me perguntei,
por quê ela foi buscar todas as referências
lá fora e não aqui?”
Eu sorri... estou apenas começando, pensei.
Para mim a tipóia (ou sling) veio com minha cunhada
americana. Nossos primeiros slings eram americanos, tudo
que líamos era em inglês: as instruções,
os tipos, os fóruns de discussão, as perguntas
mais freqüentes, os moldes... tudo vinha de lá.
Eu voltei à loja para me redimir e dividir com
vocês algumas imagens e informações
do mundo das tipóias, nosso mundo da tipóia
aqui mesmo no Brasil.
Silvana começou a usar uma tipóia com seu
segundo filho quando ele tinha 2 anos pelas ruas do Jardim
América com o filho dentro de uma tipóia...
ela havia visto as índias usando e ficara encantada.
O terceiro filho também andou muito na tipóia. |
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Hoje, os três são grandes e
já colaboram com os pais na loja. Seu marido Walter
Gomes da Silva sempre trabalhou com os índios e
eles abriram a loja há 11 anos. No site, existe
mais informações mostrando a importância
do trabalho deles.
Silvana recomenda sempre uma tipóia mais larga
que ela acha “mais urbana”. Na verdade, essa
tipóia feita pelos Ashaninka do Vale do Juruá
(divisa Peru/Brasil) é mais larga e permite maior
apoio... o que facilita para a mãe urbana que está
se iniciando na arte de usar uma tipóia. Todas
as tipóias indígenas mostradas pela Silvana
são faixas de largura única fechadas. Elas
vêem em diferentes materiais, larguras (de 7 a 35cm)
e tamanhos e não são ajustáveis. |
Ao lado temos 3 delas:
A preta e branca é do povo Kaxinawá (Acre).
É feita de algodão industralizado - algumas
vezes você pode ver tipóias feitas com
algodão cultivado pela própria índia
– e o desenho geométrico é chamado
de Kene. “Cada Kene tem uma história...
a índia tem que ser iniciada e ela sonha com
o desenho que irá usar...” explica Silvana.
Ela ilustra a história com texto de um pequeno
livro feito para uma exposição fora de
impressão e difícil de encontrar.
O listrado marrom é do Povo Krenac e possui sementes
penduradas que além de ornar servem como estímulo
sonoro para o bebê. O listrado verde e laranja
também apresenta um grafismo com significado
próprio e vem do Médio Xingu- MT - usado
pelo povo Juruna (que se autodenominam Yudjá).
Na foto ao lado, a tipóia vermelha é enfeitada
por dentes de macacos, sementes e penas e vem de Rondônia
(Povo Suruí). A do meio é uma casca de
árvore e é usada pelos Yanomami (mais
adiante temos uma foto dela em uso). A terceira é
um trançado de fibra de Tucum e vem do Amazonas
(Povo Marubo).
Nas fotos ao lado vemos a Silvana matando saudade com
uma tipóia linda enfeitada com penas (se tem
muitas penas é para um menino – caçador)
feita pelo Povo Kaapor do Maranhão. Este povo
foi muito estudado por Darcy Ribeiro e é conhecido
pela sua arte plumária. Na outra foto ela mostra
uma tipóia com apenas 7cm do povo Arara (Rio
Iriri – PA) feita em fibra de tucum. |
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| A foto abaixo é
de Heinz Foerthmann do livro “Arte Plumária
dos Índios Kaapor”de Darcy Ribeiro e Berta
G. Ribeiro. |
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Foto de Vito D’Alessio em livro de Paulo Pinagé.
Povo Caiapó Metutire |
Foto de povo Yanomami em livro Vanishing
Amazon de Mirella Ricciardi (tipóia de casca
de árvore) |
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| Abaixo fotos de album
particular da Silvana |
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Perguntei a Silvana se existiam mais
focos de mães (e pais) que procuravam se inspirar
nos povos indígenas e carregar seus bebês
juntos a seus corpos com a ajuda da tipóia. Ela
pensou um pouco e deixou a resposta no ar... mas seu
palpite final é que isso acontece mesmo em São
Paulo.
Só sei que a loja vende tantas tipóias
porque a Silvana e o Walter viram elas sendo usadas
e reconheceram seu significado.
AMOAKONOYA - www.amoakonoya.com.br
Rua João Moura, 1002 - Jardim América
- SP - BRASIL
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Por Analy Uriarte |
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| Próxima
Slingada: |
03 de maio- slings no site Sampasling.com.br |
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